As Irmãs Missionárias da Nossa Senhora de África são religiosas exclusivamente missionárias. Elas comprometem-se pelos Votos Evangelicos de Obediência, Pobreza e Castidade, primeiro para um tempo determinado, seguido pelos Votos perpetuos.
Chegando à Argel início 1867, Mgr Charles Lavigerie tinha já na sua mente um projecto missionário, não somente para a sua diocese mas também para a África. Em 1868, fundou a Sociedade dos Missionários de África (Padres Brancos) destinado para évangélização dos povos africanos. Mas era convencido que esta evangelização não podia se realizar sem a presença de mulheres apostólas. Juntando-se às mulheres, elas poderiam entrar nas famílias africanas e transformar-las do interior pelo anúncio da Boa Nova. É por isso que, em 1869, fundou a Congregação das Irmãs Missionárias da Nossa Senhora de África (Irmãs Brancas). Este novo Instituto é primeiro de direito diocesano. Em 1887, tornou-se Instituto de Direito Pontifico.
Como Jésus deixou o seu pequeno mundo de Nazarete para anunciar a Boa Nova de salvação ao conjunto Galiléu primeiro, seguidamente da região de Jerusalém, uma Missionaria de África deixa a sua família, o seu país e a sua Igreja de origem. Deixar a sua família, o seu país, a sua Igreja, isto não quer dizer esquecer-la e quebrar todas as relações. Desde o começo, estes sempre foram mantidos pela correspondência. Seguidamente e progressivamente da melhoria das possibilidades de transporte, o regresso ao país de origem tornaram-se possível para tempos de férias ou para compartilhar momentos importantes da vida da família. Estes momentos permitem reencontrar os nossos e compartilhar-lhes as riquezas e as alegrias da vida missionário, especialmente a alegria de anunciar a Boa Nova de Jésus.
Ser missionário, quer dizer ser enviado à outros povos. Este envio toma a sua fonte na Santissima Trindade. Cristo foi enviado ao mundo pelo Pai. É o Pai, ele mesmo que consagrou-o para este envio durante o seu baptismo no Jordão. Jésus então entendeu a voz do Pai e viu o Espírito Santo descer sobre ele como uma pomba. Após ter escolhido seus Apostólos, Jésus consagrou-o e enviou-o para anunciar a Boa Nova a todas as às nações da terra. Para confirmar-o neste envio, fez descer sobre eles o Espírito Santo. Hoje, é a Igreja, comunidade fundada no dia de Pentecoste, que envia em missão. Tal é a fonte do envio missionário.
Para uma Missionária de África, o envio tem uma dimensão específica. A partir da sua nomeação como Arcebispo de Argel e antes mesmo de de chegar a Argélia, Lavigerie tinha escrito a um amigo: “A Argélia é uma porta aberta pela Providência, sobre um continente de 200 milhões de almas. É lá, sobretudo, que é necessário levar a obra apostólica e católica.” Na época, nenhuma ordem missionária ainda tinha penetrado no interior de África. Os primeiros missionários tinham-se instalado sobre as costas do continente. Só exploradores tinham ousado penetrar mais dentro. É por conseguinte no interior das terras que Lavigerie quer enviar os seus missionários.
A Igreja oferece a possibilidade à todos os membros de realizar a sua vocação de acordo com a chamada de Deus. Para todos os Missionários de África, que hoje não vêm não somente da Europa e a América, mas também de África, a chamada realiza-se dentro de comunidades internacionais e interculturais sempre enviadas à outros povos, de outras culturas. Na Argélia por exemplo, desde o começo, as comunidades foram enviadas em regiões afastadas das paróquias. É o que dá à Congregação o seu estilo de vida específico.
No dia de Pentecoste, quando Apostólos começaram a anunciar as maravilhas de Deus, puderam ser compreendidos por todos os judeus que residem em Jerusalém. Estes, vindo de todas as nações do mundo, puderam entender-o cada um na sua língua. É assim que, enviados à outros povos, o/a Missionário/a de África quer ser aberto à outras culturas de modo que o anúncio da Boa Nova possa ser recebido cada um/a de acordo com a sua língua, a sua mentalidade, etc.…
O conhecimento da língua e a cultura do povo ao qual são enviadas é por conseguinte fundamental para elas. Não passam por tradutores mas encontram as pessoas nas suas aspirações e a sua realidade diária. Não continuam a ser fechadas nos seus conventos que esperam que as pessoas vêm vê-las. Mas saem entre eles e sempre que é possível, habitam em casas semelhantes os seus, que esforçam-se a viver na simplicidade para uma presença realmente fraternal. Este estilo de vida orientado pelas relações simples explica as evoluções do seu vestuário.
À origem, o seu fato religioso assemelhava-se ao vestuário das mulheres argelinas, as estreias às quais foram enviadas. Hoje, este vestuário adapta-se aos lugares do seu envio guardando simplicidade e sobriedade. Uma cruz que lhes indentifica e o seu anel exprime a sua consagração.
Quanto à visibilidade da Congregação, aparece mais particularmente através das obras às quais a missionárioa consagra-se. Cada uma das Irmãs recebe uma missão que tem em conta ao mesmo tempo as suas capacidades e as necessidades reais das populações às quais são enviadas.
Quando é necessário, a Congregação assegura-lhes uma formação profissional, intelectual e théologica que lhe permite a realizar o melhor possível esta missão. É no sentido destas necessidades reais que a Congregação orienta as suas grandes opções. Hoje, perante as situações concretas, cada uma das Irmãs trabalha de acordo com a sua competência e as possibilidades oferecidas pelo meio de acordo com as prioridades seguintes:
Primeira evangelização sempre actual numa África onde os tantos Africanos não conhecem ainda Jésus Cristo.
Diálogo islamocristão numa África onde as tensões entre cristãos e muçulmanos aumentam, sabendo que a colaboração com crentes de outras religiões é um passo essencial sobre o caminho da páz e a reconciliação
Situações de injustiça, de aflição, de violência e de exclusão, luta contra as novas escravidões.
Formação e educação das pessoas para oferecer-lhes os meios para agir nos domínios que favorecem o crescimento dos seus povos.
Fazer-se “toda para todos,” aí está verdadeiramente a divisa da missionária de África na sequência do seu Fundador o Cardeal Lavigerie, na simplicidade de vida, a humildade e o amor verdadeiro legados à Congregação pela Madre Marie-Salomé, primeira Superiora Geral, cujo zelo permitiu ao Fundador realizar o seu projecto missionário.
Roma, Casa geral, 2008